sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Em ritmo de Brit-Millá...1

Em ritmo de Brit-Millá...1
Claro, a primeira citação é minha mesmo...
Livro: “À LUZ DA MENORÁ: INTRODUÇÃO À CULTURA JUDAICA”
Autora: Jane Bichmacher de Glasman
Ano: 1999
CAPITULO V: CICLO DE VIDA JUDAICA
Como todo povo, nação e fé religiosa, o povo judeu desenvolveu desde épocas imemoriais, ritos, cerimônias, regras e procedimentos adequados para marcar os acontecimentos da vida pessoal, familiar e social.
     As pautas estabelecidas para a observância destas cerimônias estão baseadas nos valores espirituais do judaísmo e foram extraídas da Torá, seguindo os exemplos estabelecidos pela conduta dos Patriarcas e Matriarcas, Reis e Profetas. A influência de correntes de pensamento pós-bíblicas, como o misticismo judaico, serviram para modelar e definir o marco haláhico (legal) que governa até nossos dias as leis relacionadas com o nascimento, a puberdade, o matrimônio, o divórcio e a morte.
     Deve-se notar que estes são os campos da lei judaica que estiveram mais sujeitas às influências das culturas locais na quais os judeus tem vivido nos últimos dois mil anos.
A) BRIT MILÁ
     “Brit” significa “pacto” e “milá” significa “circuncisão”.  Todo pai deve seguir o preceito bíblico de circuncidar seu filho no oitavo dia, tal como Deus ordenou a Abraão (Gen. 17, 10-14).
     O Brit pode ser adiado se o menino estiver doente, fraco ou prematuro, ou se na opinião de um médico a circuncisão for potencialmente perigosa. Em caso de dúvidas, a Haláhá prescreve atuar com cautela.
     O Brit deve realizar-se à luz do dia por um “mohel”, que é um judeu piedoso e praticante e que foi instruído e conhece perfeitamente as leis da circuncisão (Shul’han Aruh).
     Se um menino nascer sem prepúcio, exige-se uma circuncisão simbólica que implica numa pequena incisão, deixando cair uma gota de sangue. Este ato denomina “hatafat dam brit” e desse modo se reafirma o Pacto de Abraão.
     A circuncisão é um mandamento de tal importância que mesmo os judeus mais agressivamente reformistas insistem nela, embora sejam mais exigentes sobre quem a efetua ou sobre o dia em que é feita.
A CERIMÔNIA DO BRIT MILÁ (em resumo)
1. O Mohel faz a introdução inicial (músicas tradicionais e/ou Baruch Haba)

2. A Kvaterin ( a acompanhante) pega o bebê da mãe e o leva ao local do Brit.
3. O Kvater ( o acompanhante ) pega o bebê da Kvaterin e o entrega àquele que o levará ao :
4. Kissé Shel Eliahu (trono, cadeira, dedicado ao Profeta Eliahu, espiritualmente presente em todo Brit Milá trazendo bênção e expiação a todos os presentes).
5.  Alguém é honrado a pegar o bebê do Kisse e colocá-lo (sobre o travesseiro) no colo do Sandak.

6. O Sandak, sentado, segura o bebê durante o Brit (neste momento o Sandak é comparado ao Sumo Sacerdote).
7. O Mohel e o pai fazem suas Brahot enquanto o Mohel realiza o Brit.
8. Enquanto alguém segura o bebê (o que é uma honraria), alguém é honrado a recitar brahot (bênçãos) com um copo de vinho à mão, dando à criança  o nome judaico. O nome judaico é escolhido pelos pais por inspiração divina, pois o nome judaico reflete e é o canal de conexão entre a essência da alma do recém nascido e Deus.
9.  O Mohel conclui o Brit abençoando a mãe e a criança.
10.Mazal Tov! Logo em seguida é servida uma Seudát Mitsvá (refeição festiva).

OBSERVAÇÃO: Nomes: uma menina recebe seu nome na sinagoga durante a leitura pública da Torá, geralmente no Shabat seguinte ao seu nascimento. É costume nessa ocasião o pai oferecer um Kidush após o serviço da manhã. O menino recebe seu nome por ocasião de seu Brit Milá. Os costumes relativos a nomes variam de comunidade; em todos os lugares, porém costuma-se dar à criança um “nome judaico”, pelo qual ele ou ela serão conhecidos para os fins da lei judaica. Estes incluem sua chamada à Torá, contratos de casamento, documentos de divórcio etc. O nome judaico pode ou não ser utilizado na vida cotidiana. Ex: Um homem chamado Moisés no Brasil, será provavelmente chamado à Torá pelo nome hebraico de Moshe ou Moishe e pode acontecer que seja chamado assim por amigos e membros da família. Outros exemplos: Avraham (Abraão), Rivka (Regina), etc. 
         Na tradição judaica, os nomes carregam grande significado. O Midrash nos conta: “Cada pessoa tem três nomes
- um dado pela mãe e pelo pai;
         - outro o qual é chamado por outras pessoas;
         - e outro adquirido por ele próprio”. (Eclesiastes Rabbah, 7:1:3).
         Então, escolher o nome é o primeiro passo na formação da identidade da criança. O judaísmo merece orientação em decidir o nome que melhor se adapte à criança.
         Durante o período bíblico, os pais não davam os nomes de parentes vivos ou falecidos às suas crianças. Os israelitas temiam que essa prática pudesse roubar a identidade e a imortalidade de seus parentes. Às crianças se davam nomes depois de um acontecimento; de um animal ou planta; ou algo relacionado à D’s. Adam, por exemplo, foi assim chamado porque fora criado da Adamah, a terra. Moisés, do hebraico “salvo das águas”, foi assim chamado porque foi resgatado do Rio Nilo pela filha do Faraó. As crianças recebiam nomes de um animal ou de uma planta na esperança de adquirir características do nome. Deste modo, os pais que chamavam seu filho “Ari” (leão) esperavam que esta crescesse forte. Também são populares nomes teosóficos, como Jonathan (dado pelo Senhor) ou Ezequiel (que Deus fortaleça). Outra categoria de nomes são inspirados num acontecimento. Por exemplo: Samuel (Deus ouviu)). Após o retorno dos judeus do Exílio da babilônia (586 a.C.), especialmente durante o período helenístico, surgiu o costume de dar às crianças o nome de um familiar vivo, geralmente avô paterno.  Em contraste aos tempos anteriores, pensava-se que a pessoa cujo o nome fora dado à criança, ganharia imortalidade.
         Nos tempos Talmúdicos, os judeus evitavam denominar as crianças, segundo certas personalidades da Bíblia, assim como Moisés ou David, temendo que tal denominação pudesse perturbar as almas dos mortos.
         Na Idade Média, entretanto, a prática de dar o nome a uma criança após a morte (de um parente) tornou-se popular entre os judeus ashkenazim. Os judeus sefaradim normalmente dão nome à criança de um familiar vivo, e os judeus yemenitas dão o mesmo nome de seus pais. O Judaísmo Reformista permite que a criança seja chamada em nome de um familiar vivo ou falecido.

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